Fan Page | Edimar Santos

quarta-feira, 9 de junho de 2010

RAPIDINHAS SOBRE A COPA DO MUNDO


# Senhoras e senhores, eis que a Copa do Mundo chegou – a partida inaugural acontecerá na próxima sexta-feira – Serei, durante os próximos trinta dias, um torcedor em absoluto estado de transe. Minha casa será o meu bunker, abastecido de cerveja e comida o suficiente para a longa temporada futebolística que se anuncia.
# Somente os amigos íntimos terão o direito de me visitar – e, mesmo assim, mediante o compromisso de não puxar, durante os jogos, assunto que não seja a Copa. Afinal, é de quatro em quatro anos que posso me dar o luxo de ficar um mês inteiro sem pensar em trabalho, sem me preocupar com política, sem escrever uma linha que seja sobre coisa alguma. É o meu tempo de descarregar o excesso de ideias acumuladas para manter a sanidade mental.

# A lembrança mais antiga que tenho de uma Copa do Mundo são da Seleção de 1970 vagamente, da triste campanha de 1974 com a ausencia do astro Pelé que poderia muito bem ter ido, da tristeza tambem de 1978 e do contágio com a seleção do Telê Santana em 1982, com meu espanto diante das minhas lágrimas e do meu pai. Na televisão {jamais pude esquecer do bombril enrolado na antena}, o Brasil perdia para a Itália em Sarriá. Foi a primeira vez que vi um adulto chorar e isso me marcou. Meu pai não chorava nunca. E, naquele dia, derramou umas lágrimas sentidas, em silêncio, olhando para o vazio. Eram umas lágrimas muito dignas, mas nem por isso menos tristes. Eu me lembro que, na TV, o Falcão também chorava lágrimas igualmente nobres. Me lembro que meu filho mais velho, o Bruno, completava naquele dia 11 dias de vida.
.# Antes, os jogadores da Seleção tinham a minha idade. Eram senhores respeitáveis. Uns, como Sócrates e Júnior, ostentavam barbas e bigodes que conferiam certa austeridade. Outros, como Waldir Perez, exibiam uma calvície indecente {não raspavam a cabeça, eram carecas de fato}. Hoje, os craques são meninos imberbes feito os meus filhos. Na Copa de 2014, alguns terão idade para serem meus netos. De repente, num piscar de olhos, sou mais velho do que os jogadores da Seleção! Do futebol vem a consciência da morte. De quatro em quatro anos, descubro que sou perecível. Assim como o futebol-arte, também morrerei..# Está na moda torcer contra o Brasil. As pessoas encontram mil e uma razões para torcer contra Dunga, contra Gilberto Silva, contra Kaká... Um porque é teimoso e ressentido; outro porque é volante; outro porque é crente. Eu também não morro de amores por esse grupo. Eu também queria ver Paulo Henrique Ganso nesse time. Mas, se a Seleção é a pátria em chuteiras, como dizia Nelson Rodrigues, temos o dever de apoiá-la. Porque a camisa amarela é uma instituição. Não de Dunga, mas do povo.
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# Se Mário Quintana estivesse vivo, talvez dissesse, subvertendo o próprio poema: "Eles passarão. A Seleção, canarinho"..# Enquanto eu dormia, um anjo me soprou no ouvido: "A Argentina será campeã!". Acordei no meio da noite, esbaforido, assustado, com aquela voz ressoando na cavidade auricular: "A Argentina será campeã!". Apesar do palpite, que me foi dado por um anjo azul, torçamos pelo Brasil.

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