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domingo, 4 de novembro de 2012

A “bolha” do site de compra coletiva esvaziou

Trezentas empresas do setor fecharam desde o início do ano. Os sites que continuam no mercado se reinventam para conquistar clientes. Dizem que depois da tempestade vem a bonança. No caso dos sites de compras coletivas, porém, a relação é inversa. Depois de um ano em que o faturamento do setor chegou a R$ 1,6 bilhão, empresas fecham as portas, seja porque os consumidores não veem mais novidade nos sites ou porque as reclamações inviabilizaram o crescimento das empresas. Quem se mantém no mercado busca novas formas de atuação para fisgar outra vez a atenção do público. Uma saída tem sido a diversificação de serviços e a melhora da qualidade.

Desde janeiro o número de sites de compras coletivas caiu 25%, de 1,2 mil para 900, de acordo com o Info Saveme – levantamento realizado pelo “agregador” (espécie de portal) de compras coletivas Saveme e pela consultoria e-bit. A e-bit espera que o faturamento do setor cresça entre 5% e 10% neste ano. O índice supera com folga a projeção para o PIB geral do país, mas representa menos da metade da alta de 20% estimada para o comércio eletrônico como um todo.
Nos nove primeiros meses do ano, as empresas de compras coletivas faturaram R$ 1,192 bilhão, valor 7,3% superior à cifra de R$ 1,11 bilhão registrada no mesmo período ano passado, de acordo com o Info Saveme. “No ano passado, tivemos uma explosão de compras coletivas em cima da novidade. Neste ano, as pessoas entenderam como funciona e começaram a reclamar sobre a qualidade”, diz Cris Rother, diretora de negócios da e-bit.
De 2010 para cá, o número de processos administrativos no Procon-PR, por exemplo, passou de 64, naquele ano, para 530, de janeiro até o início de outubro de 2012. No mesmo período deste ano foram 1,3 mil atendimentos (reclamações, orientações e pedidos de informação), o triplo do registrado em 2010. Não raras são as multas: em setembro deste ano o Procon-PR multou o Groupon em R$ 1,4 milhão devido às reclamações contra a empresa.
O crescimento desordenado, sem dar atenção à infraestrutura, também justifica o desempenho mais moderado das compras coletivas, na avaliação de Alberto Albertin, coordenador do Centro de Tecnologia e Informação Aplicada da FGV. Segundo ele, o despreparo para atender à demanda desencantou os consumidores. “O ano passado foi de expansão e agora o segundo ano é de profissionalização”, explica Guilherme Wroclawski, diretor do Saveme.
A ampliação das atividades também marca esse novo posicionamento das empresas. Há um mês o Cidade Oferta, site com sede em Londrina, atua, além da compra coletiva, com o e-commerce. “Estamos ampliando o leque de produtos como resposta ao mercado, que deu uma segurada neste ano. Estudamos ainda se vamos ou não entrar no ramo de cupons de desconto”, avalia Rafael Valente, administrador do site.
Grandes sites se reinventam para não perder mercado
Os grandes sites de compra coletiva estão se reinventando e oferecendo novos serviços. O Peixe Urbano, por exemplo, lançou outros braços de negócio, como serviços de reserva de restaurantes e de entrega de comida a domicílio. Essa estratégia guiou a compra do site Zuppa, de reservas em restaurantes, e do O Entregador, de entregas, além do recente lançamento do serviço Peixe Urbano Delivery.
O sócio-fundador do site, Emerson Andrade, diz que a tendência é de que a compra coletiva seja mais uma área dentro do Peixe Urbano no futuro, em vez de ser o carro-chefe da empresa. “Sempre soubemos que as compras coletivas não iriam crescer para sempre, por isso tratamos esse mercado como forma de começar o nosso projeto”, ressalta.
O Groupon, que recentemente foi expulso do Comitê de Compras Coletivas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net) por oferecer smartphones e tablets não homologados no Brasil, tem investido em novas tecnologias para a compra coletiva, como o aplicativo para celular, que permite a compra dos cupons e utilização imediata além de uma plataforma de reservas.
Internamente, a busca por qualidade tem se refletido num processo mais criterioso de seleção de fornecedores. O ClickOn, por exemplo, cortou dois mil fornecedores neste ano, de acordo com o presidente da empresa, Guilherme Ribenboim. “Começamos a discutir com o fornecedor qual é a melhor estratégia, entender se a intenção da oferta é lançar produto ou dar vazão à ociosidade”, explica.
Segundo Ribenboim, o site está migrando para algo mais parecido com o e-commerce. Há três meses, o Clickon lançou uma seção de fotografia, que oferece permanentemente serviços como revelação e produtos como álbuns. Em setembro, foi a vez de entrar com a seção dedicada a teatro.
fonte: gazeta do povo
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